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24/07/2019
Como hackear o processo de envelhecimento
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by: Caffeine Academy
Como hackear o processo de envelhecimento
Como hackear o processo de envelhecimento
O que você vai ler aqui:
  • Mitocôndria e envelhecimento
  • Sensores de nutrientes diminuídos
  • Comer menos, viver mais
  • Resumindo

O envelhecimento sempre foi considerado um processo inevitável. Mas a descoberta de que o processo de envelhecimento em si pode ser "hackeado" levou ao conceito de "extensão da saúde", em oposição a apenas "expectativa de vida".[1]

Uma vida longa não necessariamente está vinculada a incapacidade. Intervenções dietéticas específicas podem promover uma vida longa e saudável.

Quando eu falo de hackear o processo de envelhecimento, não estou falando sobre procedimentos estéticos, como “botox” e preenchimentos. Quero dizer sobre o que você pode fazer por si mesmo sem ter que procurar uma clínica de beleza para “rejuvenescer”. Hábitos vencem “remédios”, certo?

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Basicamente todos os resultados de intervenções dietéticas, genéticas, de exercício e de medicamentos tem um mecanismo de ação principal: diminuição do sensoriamento de nutrientes - que também inclui diminuição da sinalização do fator de crescimento e aumento da autofagia. Este é o melhor palpite de como todas essas intervenções diferentes podem aumentar a expectativa de vida.

Os 3 principais sensores de nutrientes do corpo humano, que são semelhantes à maioria dos animais são:

  1. mTOR
  2. AMPK
  3. Insulina

A maioria das intervenções citadas afeta uma ou mais dessas vias.[2] O bloqueio do mTOR melhora o manejo de proteínas, aumenta a autofagia e melhora a função das células-tronco. O aumento do tempo de vida depende não de ter mais nutrientes, mas de ter menos. O aumento da longevidade depende da diminuição dos sensores de nutrientes (menor mTOR e insulina, maior AMPK) pelo menos periodicamente.

Isso é fascinante, porque a intervenção dietética mais antiga é o jejum - uma forma clara de diminuir as vias de detecção de nutrientes. Os seres humanos têm usado o jejum como um método de aumentar o bem-estar desde a antiguidade.

Mitocôndria e envelhecimento

Existe uma correlação clara entre o melhor funcionamento das mitocôndrias e a diminuição dos sensores de nutrientes. As mitocôndrias são os propulsores das células e é óbvio que as células precisam ter energia para funcionar adequadamente.

AMPK é um regulador altamente conservado da homeostase energética e liga a energia ao envelhecimento. AMPK é uma espécie de medidor de combustível reverso da célula. O ATP é a molécula que transporta energia em uma célula. Quando esse nível fica baixo, a AMPK sobe. AMPK induz biogênese mitocondrial (criação de nova mitocôndria), bem como regula o metabolismo e a dinâmica mitocondrial. Em um estudo de 2017, observou-se que a AMPK pode manter a morfologia juvenil da rede mitocondrial mesmo com o envelhecimento. [3] Quando expuseram os animais ao jejum intermitente, houve uma mudança marcante nas redes mitocondriais.


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Tanto a divisão como a fusão são necessárias para manter a saúde e a vida útil. Esse estudo ainda destaca que a restrição alimentar pode aumentar o tempo de vida afetando as redes mitocondriais. As mitocôndrias fazem parte de redes que podem se fundir (fusão) ou quebrar (fissão) em constante remodelação. Uma desregulação dessas dinâmicas e morfologia anormal dessas mitocôndrias são marcas do envelhecimento e pensadas para contribuir para muitas doenças degenerativas, como Alzheimer e Parkinson. Com a idade, muitos estudos relatam o aumento das mitocôndrias fragmentadas. A mitofagia, um processo de degradação da mitocôndrias danificadas e reciclagem, desempenha um papel importante em manter a dinâmica normal.

Se isso for verdade para os seres humanos, então as intervenções dietéticas são a chave para a longevidade.[4] Isso tem redirecionado a atenção para a frequência das refeições, o tempo e o jejum intermitente. Durante nossa história evolutiva, longos períodos de fome eram normais, devido a mudanças sazonais ou devido a eventos climáticos episódicos. Muitos animais desenvolveram formas de quiescência em resposta ao aparecimento de escassez de alimentos.

É importante ressaltar que os mesmos genes que controlam a quiescência também controlam o tempo de vida. Em roedores, o jejum de 24 horas a cada dois dias ou duas vezes por semana aumenta a expectativa de vida em até 30%. A restrição calórica crônica também pode ter benefícios semelhantes. O jejum pode promover a função mitocondrial, desencadear autofagia e vias de reparo do DNA. Também em roedores, o jejum intermitente pode aumentar a função cerebral, indicada por melhora no desempenho de testes comportamentais de função sensorial e motora, além de aprendizado e memória. Do ponto de vista molecular, o jejum aumenta a expressão do fator neurotrófico derivado do cérebro, representado pela sigla BDNF (do inglês brainderived neurotrophic factor). Esta proteína está relacionada ao aumento de plasticidade sináptica, neurogênese, além de maior resistência a dano neuronal e doenças que acometem o sistema nervoso central. Parece ser neste ponto que as adaptações neuronais induzidas pelo jejum e pelo exercício de endurance (também chamado de aeróbio ou de resistência) coincidem. Estudos feitos em roedores já demonstraram aumento de BDNF nos ratos exercitados.[5]

Ainda há debate sobre se o maior impacto no envelhecimento é secundário à ingestão calórica total, à ingestão de proteínas ou de aminoácidos específicos. [6, 7]

Sensores de nutrientes diminuídos

Em comparação com outras intervenções dietéticas, o jejum intermitente parece ser muito mais poderoso porque sozinho tem a capacidade de afetar os três sensores nutrientes simultaneamente, bem como estimular a autofagia e a mitofagia. O mTOR é sensível à proteína da dieta. A insulina é sensível a proteínas e carboidratos. Portanto, comer uma dieta de gordura pura, por exemplo, pode reduzir a mTOR e a insulina, mas não será capaz de elevar a AMPK, uma vez que ela detecta o estado energético das células. Se você comer uma dieta muito rica em gordura (cetogênica), seu corpo ainda será capaz de metabolizá-la em energia - gerando ATP e diminuindo a AMPK. Apenas 2 (mTOR e insulina) dos 3 percursos de detecção de nutrientes seriam alertados. Em resumo, apenas a restrição completa de nutrientes exercerá efeito sobre os três (ou seja, jejum).

Comer menos, viver mais

Comer com menos frequência pode melhorar significativamente a saúde. A maioria dos mamíferos onívoros comem apenas de forma intermitente. Carnívoros como leões e tigres costumam comer uma vez por semana ou menos. Os seres humanos ancestrais tendiam a comer intermitentemente, dependendo da disponibilidade de alimentos. Ser capaz de funcionar em alto nível, tanto física quanto intelectualmente, por longos períodos de jejum era fundamental para a sobrevivência. Isso explica nossos sistemas bem desenvolvidos para armazenamento de alimentos (glicogênio no fígado e gordura corporal) e também nossos sensores de nutrientes altamente conservados para retardar o crescimento celular durante um período de baixa disponibilidade de nutrientes.

As coisas mudaram um pouco com a revolução agrícola, há alguns milhares anos atrás. De uma sociedade de caçadores-coletores, a agricultura permitiu que populações de humanos permanecessem em uma área e resultassem em uma disponibilidade de alimentos mais estável.

Diferentes sensores de nutrientes são sensíveis a diferentes durações de tempo. Ou seja, seria útil para o nosso corpo saber se os nutrientes eram restritos a curto prazo (durante a noite), nas durações médias (dias) ou longas durações (semanas - meses, estações). Você pode ver que o corpo humano desenvolveu exatamente as mesmas capacidades em nossos sensores de nutrientes.

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A insulina aumenta rapidamente após uma refeição, mas cai com a mesma rapidez durante um jejum noturno. Responde principalmente a carboidratos e proteínas. Enquanto a proteína não aumenta a glicose no sangue, aumenta a insulina. Também aumenta o glucagon, de modo que a glicemia permanece estável. mTOR é principalmente sensível à proteína e particularmente aminoácidos de cadeia ramificada. Ele não cai tão rápido e leva de 18 a 30 horas para ser ativado. AMPK é o medidor de combustível reverso da célula (AMPK aumenta à medida que as reservas celulares de energia de ATP se esgotam) e só aumenta com a privação prolongada de energia. Todos os macronutrientes podem contribuir para a produção de ATP, portanto, a AMPK é sensível a todos os macronutrientes.

  1. Insulina (curto prazo)
  2. mTOR (dias)
  3. AMPK (semanas)

Esses sensores de nutrientes se sobrepõem um pouco em suas sensibilidades e funções, mas cada um também é único. Dessa maneira, nossas células são capazes de obter informações preciosas sobre a disponibilidade específica de macronutrientes do mundo externo.

Mas não precisamos entender toda a biologia complicada para obter os benefícios. Podemos começar a recuperar parte de nossa antiga sabedoria perdida seguindo a antiga tradição alimentar de fazer uma pausa de comer de vez em quando. Dê a si mesmo a chance de digerir a comida que você comeu: pratique o jejum intermitente. Ele é um hack incrível para retardar o processo de envelhecimento.

Resumindo

Não somos biologicamente programados para comer muito. Comer menos está ligado a uma maior expectativa e melhor qualidade de vida. O jejum intermitente tem incontáveis benefícios, você pode conferir alguns deles em alguns dos nossos blogposts anteriores. E lembre-se sempre: conseguimos resultados através de hábitos. Nunca é tarde para mudá-los. Coma menos e melhor, pratique o jejum, exercite-se, medite, leia mais, pratique o amor e gratidão. Esses são hábitos indispensáveis e os verdadeiros segredos antienvelhecimento.




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AUTOR:
Caffeine Academy
Catalizar todo o potencial humano é o nosso propósito.