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30/07/2020
A arte de tomar decisões
Data?1569949818
by: Clara Carvalho
A arte de tomar decisões
A arte de tomar decisões
O que você vai ler aqui:
  • Processos na tomada de decisões
  • Decisões por instinto
  • A fadiga de decisão

O pai de uma ação é uma decisão. Tudo começa com uma decisão.

Tomamos dezenas de decisões todos os dias, algumas simples, outras mais complexas. Estima-se que um adulto toma cerca de 35.000 decisões conscientes a cada dia.

WOW! Haja decisões, não é mesmo? Você deve estar se perguntando:

"Que nada, nem tenho tanta coisa para decidir assim..."

Então fosforila aqui comigo...

Até mesmo coisas banais envolvem decisões. Por exemplo, ao abrir os olhos pela manhã, você precisa decidir sobre coisas simples, como:

O que comer? Treinar agora ou mais tarde? Ler ou Ver redes sociais? Tomar um copo de água ou um café? Que roupa irei vestir? Garfo ou colher? Qual playlist vou ouvir? Responder e-mails ou deixar para lá?

Tudo envolve DECISÕES.

Claramente existem decisões aparentemente simples, mas outras nem tanto. O grande desafio é saber como e quando gastar sua energia com decisões.

Os estudos da tomada de decisão tem sido objeto de várias disciplinas intelectuais: matemática, sociologia, psicologia, economia e ciência política, para citar algumas. Filósofos diziam que o ato de decidir diz sobre nós mesmos e sobre nossos valores - principalmente em momentos críticos.

Temos mais decisões a tomar do que nunca

Carreiras, amizades, saúde e finanças demandam boas escolhas. Mas os especialistas concordam que preconceitos inconscientes distorcem nossa percepção. 

Essa distorção cria pontos cegos em nossas opções. Quanto melhor você entender esses pontos cegos, melhor será capaz de contornar esses obstáculos mentais para fazer escolhas de vida mais sábias.

Ninguém quer olhar para trás e pensar se poderia ter feito melhor. Tomar decisões das quais podemos nos orgulhar é o que queremos, a fim de construir a melhor vida possível.

Se eu puder te dizer algo para não esquecer, seria:

Distancie-se do que é confortável ao projetar comportamentos intencionais para si e para os outros. As reações instintivas nos levam a agir de maneira confortável, mas muitas vezes são muito perigosas para nós. 

Nossas reações INSTINTIVAS são adaptadas ao ambiente da savana, quando vivíamos como caçadores e forrageadores em pequenas tribos, não no mundo incrivelmente complexo e multicultural. 

Portanto, você precisa evitar a tentação de seguir com o que é confortável e assumir que o que parece certo é o que é realmente bom para você - procrastinar vem disso.

Confie nos seus instintos

Tendemos a escolher o que é mais confortável do que o que é verdadeiro ou bom para nós. Infelizmente, os gurus que dizem às pessoas o que querem ouvir e o que os torna confortáveis recebem muito dinheiro, enquanto os especialistas que falam verdades desconfortáveis costumam ser ignorados. 

O que você prefere ouvir intuitivamente: alguém descrevendo uma dúzia de rosquinhas deliciosas, deliciosas e deliciosas ou alguém que compartilha sobre como manter sua aptidão física?

A caixa de dúzia de rosquinhas é uma maravilha, não é? Pois contém mais calorias do que deveríamos comer em um dia inteiro. Nosso instinto quer os donuts em vez do prato de frutas saudável, mas menos intuitivamente atraente, de não seguir nossas intuições. 

A escolha mais atraente para o seu instinto é geralmente a pior decisão para os seus resultados, assim como os donuts são muito mais intuitivamente desejáveis do que uma bandeja de frutas, mas são a pior escolha para a sua cintura e para sua saúde.

Em vez disso, planeje seus objetivos e, em seguida, projete comportamentos a partir desses objetivos. Se alguns comportamentos forem contrários aos seus instintos, vá deliberadamente além do que lhe parece intuitivo para atingir seus objetivos.

A fadiga de decisão

Você sabia que nossos hábitos são muito alinhados a nossas decisões? 

O psicólogo Roy F. Baumeister da Universidade Estadual da Flórida, dedicou seus estudos a um termo chamado de fadiga de decisão. Em seus estudos, ele afirma que as pessoas mais bem-sucedidas não precisam de força de vontade super forte ao tomar decisões.

Quanto mais decisões temos que tomar ao longo do dia, fica mais difícil para o cérebro tomá-las. Isso leva a uma pior qualidade das decisões se o indivíduo tiver uma longa sessão de tomada de decisões. Foi indicado como uma das razões para compensações irracionais ao tomar decisões.

Assim, pessoas de sucesso conservam sua força de vontade de tomada para decisões desenvolvendo hábitos, rotinas e reduzindo a quantidade de estresse em suas vidas. Desta forma, o ato de tomar decisão fica reservado apenas para quando você tem alguma decisão que realmente seja importante.

A tomada de decisão complexa é uma habilidade - ela pode ser aprendida e algumas pessoas são significativamente melhores nisso do que outras. Envolve instinto, sem dúvidas, mas também a capacidade de coletar informações que parecem irrelevantes, de ignorar informações que parecem urgentes, de considerar pacientemente não apenas as implicações de curto prazo, mas também de longo prazo - Seth Godin.

Diferentemente da fadiga física, a fadiga de decisão pode ser difícil de reconhecer. Vamos fazer uma analogia:

A nossa força de vontade é como um músculo. Então, pode ser hipotrofiado, hipertrofiado, sofrer lesões, ficar dolorido e gerar sobrecarregas. 

Em um estado mental esgotado, tendemos a nos concentrar mais na gratificação a curto prazo e é menos provável que pesemos desvantagens a longo prazo de uma escolha específica.

Post relacionado: A influência da heurística da ancoragem na tomada de decisões

Isso não significa apenas que uma decisão maciça pela manhã irá drenar seus processos de pensamento ao longo do dia. De fato, é mais provável que uma série de decisões menores e muitas vezes insignificantes seja realmente a principal fonte de fadiga mental.

Em um estudo, constatou-se que os juízes eram mais indulgentes no início do dia: “Os presos que apareceram no início da manhã receberam liberdade condicional cerca de 70% antes do tempo, enquanto aqueles que apareciam no final do dia eram colocados em liberdade por menos de 10% do tempo.”

O Dr. Baumeister afirma que acredita que a quantidade de força de vontade que temos é finita. Isso explica por que as pessoas têm maior probabilidade de tomar decisões ruins após um longo dia estressante, por exemplo, tendo uma refeição não saudável no final do dia - mesmo quando optou por ficar de dieta.

Todo esse cansaço da decisão está fortemente associado ao esgotamento do ego, que é onde você realmente precisa se esforçar para concluir uma tarefa desagradável; você terá menos força de vontade para concluir a próxima tarefa.


Como administramos o cansaço da decisão?

Hoje é ainda mais difícil, pois há mais opções do que nunca em quase todos os aspectos da vida. As escolhas ilimitadas estão tendo um impacto. Mark Zuckerberg conta em seu livro: 

"Eu realmente quero limpar minha vida, para que eu tenha que tomar o mínimo de decisões possível sobre qualquer coisa, exceto como melhor servir essa comunidade. Sinto que não estou fazendo meu trabalho se gastar toda a minha energia em coisas tolas ou frívolas sobre a minha vida.”

E como exemplos simples de pessoas admiráveis:

Seth Godin come o mesmo almoço todos os dias. Mark Zuckerberg usa a mesma camisa cinza todos os dias. Steve Jobs tornou famosa a combinação de gola alta preta e jeans.

Perceba que estes são exemplos de hacks simples que simplificam sua vida, impedindo o acúmulo de decisões desnecessárias. Em vez de definir várias opções de camisa para a manhã, escolha uma e fique com ela.

Eu particularmente gosto de comer saudável e tenho esse hábito. Para evitar não conseguir cumprir algo que me faz bem e que decidi para mim, durante a rotina de plantões no hospital, sempre levo minha própria comida. Não quero ser refém de decisões de outras pessoas sobre como irei nutrir meu templo.

Essa decisão deve ser minha. Para fazer isso, eu criei a rotina de preparo do meu café da manhã, almoço e jantar na noite anterior. 

Se eu parasse de simplificar meus hábitos alimentares e, em vez disso, preferisse por pedir comida para almoçar, seria estressante escolher lugares que cumprissem adequadamente o que eu quero, passaria bastante tempo nos aplicativos, consumiria mais dinheiro do que o necessário e isso afastaria as decisões mais importantes que virão mais tarde.

Se você não tomar decisões de como vai viver, então já tomou uma decisão, né? Você decidiu se deixar levar pelo ambiente... "Deixa vida me levar". Bom, não há certo ou errado, mas também não entre para o time da crença limitante de que é predestinado.

É sua escolha. Foque na mudança de comportamento

Relembrando sobre a ciência de hábitos: bons hábitos te poupam energia. Existem três camadas de mudança de comportamento: uma mudança nos seus resultados, uma mudança no seu processo ou uma mudança na sua identidade

Muitas pessoas iniciam o processo de mudança de hábitos, concentrando-se no que desejam alcançar. Isso nos leva a hábitos baseados em resultados. A alternativa é criar hábitos baseados em identidade. Com essa abordagem, começamos a focar em quem queremos nos tornar.



Com hábitos baseados em resultados, o foco está no que você deseja alcançar. Com hábitos baseados em identidade, o foco está em quem você deseja se tornar. Quanto mais orgulho você tiver em um aspecto específico de sua identidade, mais motivado ficará em manter os hábitos associados a ela.

A verdadeira mudança de comportamento é a mudança de identidade. Você pode começar um hábito por causa da motivação, mas a única razão pela qual você permanecerá com um é que ele se torna parte de sua identidade. Decida por isso.

Bons hábitos podem fazer sentido racional, mas se eles entrarem em conflito com sua identidade, você não conseguirá colocá-los em ação.

Novas identidades exigem novas evidências. Se você continuar dando os mesmos votos que sempre deu, obterá os mesmos resultados que sempre teve. Se nada mudar, nada vai mudar. É um processo simples de duas etapas:

  1. Decida o tipo de pessoa que você deseja ser.
  2. Prove para si mesmo com pequenas vitórias.

O foco deve sempre ser em se tornar esse tipo de pessoa, não obter um resultado específico.

Aplique um pensamento semelhante às suas grandes decisões e, quando necessário, atraia pessoas em quem confie para ajudá-lo a tomar decisões imparciais e objetivas. Por fim, as decisões sobre sua carreira devem ser tomadas por você e não coloridas por pessoas cuja visão do mundo é colorida por pensamentos diferentes.

Foguete não tem ré. Vamos juntos!


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AUTOR:
Clara Carvalho
Médica - Medicina de Emergência Hospital das Clínicas USP São Paulo . Ir além do convencional, pensar fora da caixa, em constante busca pela transformação e evolução.